CALL FOR PAPERS | EDIÇÃO 17

2024-01-24

A historiadora Joan Scott afirmou em seu texto "A história das mulheres", de 1991, que esta "é um campo inevitavelmente político". Neste trabalho icônico, Scott narra o longo caminho para a consolidação do campo da história das mulheres que, por expor e questionar a hierarquia implícita na história do homem sobre a história da mulher, foi marcado por diversas estratégias internas de desqualificação e impedimento, mas acabou por desestabilizar os poderes instaurados na base da disciplina.

No campo mais específico da história urbana, muito caro à arquitetura e ao urbanismo, a historiadora Maria Stella Bresciani, em 18989, argumentou que a história da mulher no espaço público, para além de uma história de exclusão, é uma história de luta.

Atualizando essas questões, a arquiteta Zaida Muxí Martinez questiona a historiografia da arquitetura e urbanismo propondo uma "reescrita da história da arquitetura e do urbanismo a partir das contribuições das mulheres que foram silenciadas pela história geral". Na articulação entre história e projeto, a arquiteta Dolores Hayden lançou, em 1981, uma pergunta que ainda ecoa: "Como seria uma cidade não-sexista?". Atualizando essa pergunta, em 2023, a arquiteta e psicanalista Joice Berth questiona "E se a cidade fosse das mulheres?".

A quarta onda feminista do início do século XXI trouxe consigo ampliações e aprofundamentos impressionantemente radicais para a teoria e a prática feministas a partir do feminismo decolonial, feminismo negro, feminismo indígena, feminismo queer e outras abordagens transformadoras. Um olhar sobre a produção das últimas décadas na arquitetura e no urbanismo parece anunciar a consolidação da abordagem feminista nesses campos e suas incontestes - e, esperamos, irreversíveis reverberações, apropriações e transformações. Esse arcabouço teórico vem questionando paradigmas e provocando importantes desestabilizações em nossos campos de atuação que merecem ser documentadas e problematizadas.

A partir dessa abordagem, a revista Thésis 17 convida trabalhos que desenvolvam outros olhares sobre a cidade e seus processos a partir de diferentes perspectivas de gênero, incluindo questões sobre habitação, mobilidade, segurança, direito à cidade, espaço público, projeto dos ambientes, outras histórias e narrativas da arquitetura e do urbanismo, especificidades e desafios de uma cidade para as mulheres, práticas projetuais e/ou tecnologias sociais que incorporem questões de gênero em seus processos, além de outras dimensões e temáticas afins.

 

As contribuições serão recebidas em português, inglês e espanhol na aba "Submissões" em nosso site até o dia 31 de março de 2024.