Temporalities in urban policies
Abstract
This paper examines urban policies from the perspective of temporality as a structuring category in the production and management of urban space. Contrasting with the hegemonic conception of linear time in planning, it proposes understanding it as a sociopolitical construction traversed by heterogeneous rhythms, discontinuities, and power relations. The central hypothesis argues that urban policies operate under multiple temporal regimes, provoking functional rearticulations and frictions that compromise their internal coherence and practical effectiveness. Epistemologically anchored in the critique of urban space-time and complexity theory, the study develops a theoretical-analytical model organized into three dimensions—institutional time, social time, and ecological time—whose interaction configures what is called the zone of temporal conflict. Far from constituting a circumstantial anomaly, this zone is structural to contemporary cities. Its origin lies in the coexistence of dissonant temporalities that, by interacting, condition the cycles of public actions. In this sense, it presents some constitutive traits: the structural asynchrony between temporal regimes; An opacity stemming from difficulties in multiscale coordination and the selective invisibility of the temporalities of vulnerable groups and natural processes; and the dispute over legitimacy in decision-making arenas. The argument developed suggests that interpreting urban policies requires abandoning the search for synchronization and recognizing that temporal plurality is not a dysfunction to be corrected, but a constitutive condition of the urban environment. Moving in this direction implies developing mediation capacities and socio-technical networks capable of building more equitable, and sensitive responses to the complexity of the urban environment.
Downloads
References
ASCHER, François. Du vivre en juste à temps au chrono-urbanisme. Les Annales de la Recherche Urbaine, [s. l.], v. 77, n.1, p. 112–122, 1997. DOI: https://doi.org/10.3406/aru.1997.2145
BAUMAN, Zygmunt. Tempos líquidos. 1a ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2021.
BERGSON, Henri. A evolução criadora. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2019.
BOGO, Rodrigo S.; SILVA, Eduardo de Araújo. Políticas públicas urbanas no Brasil: uma retomada do orçamento participativo sob o olhar da justiça territorial. Anais do XX Enanpur, Belém/PA, 2023.
BRASIL, Tribunal de Contas da União. O TCU e a Copa do Mundo de 2014: relatório de situação. Brasília: TCU, 2011.
BRESSON, Sabrina. Les déconvenues de la participation citoyenne: Pratiques urbaines, pouvoirs et légitimités. Tours: Rabelais, 2022.
CARLOS, Ana Fani A. Espaço-tempo da vida cotidiana na metrópole. São Paulo: FELCH/USP, 2017.
CALDAS, Ricardo W. Políticas Públicas: conceitos e práticas. Belo Horizonte: Sebrae/MG, 2008.
CALDEIRA, Teresa P. Cidade de muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34, 2011.
CAMARGO, Marília Formoso; BRESCIANI, Luis Paulo. A consolidação da política pública urbana no Brasil: um estudo sobre o desenvolvimento da temática no século XX. Anais VIII Encontro Brasileiro de Administração Pública, Brasília/DF, 2021.
COSTA, Marco Aurélio et al. Contextualização da política urbana no Brasil e reflexões Iniciais para a construção da PNDU. Texto para Discussão (TD) 2686. Rio de Janeiro: IPEA, 2021. DOI: https://doi.org/10.38116/td2686
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Vol.1. Rio de Janeiro/RJ: Paz & Terra, 2013.
COSTA, Paula M.S. et al. Judicialização de políticas públicas na jurisprudência contemporânea: breves considerações sobre o processo estrutural. Rev. Jurídica Luso Brasileira, Ano 9, nº6, 2023, p.1537-1565.
CRACY, Jonathan. 24/7: Capitalismo tardio e os fins do sono. São Paulo: Ubu Editora, 2016.
DE CERTEAU, Michel. Invenção do cotidiano. Vol. 1: Artes de fazer. 23ª ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 2014.
FERNANDES, José et al. Time policies, urban policies and planning. GOT - Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território, n.º 7 (junho), 2015, p. 129-157, dx.doi.org/10.17127/got/2015.7.006. DOI: https://doi.org/10.17127/got/2015.7.006
FREHSE, Fraya. Quando os ritmos corporais dos pedestres nos espaços públicos urbanos revelam ritmos da urbanização. Civitas - Revista de Ciências Sociais, v. 16, p. 100–118, 2016. DOI: https://doi.org/10.15448/1984-7289.2016.1.22234
GIDDEN, Anthony. As consequências da modernidade. São Paulo: Unesp, 2002.
GOODIN, Robert E. Temporal justice. Journal of Social Policy, 39(01), 2010, p. 1-16. Disponível em https://www.cambridge.org/core/journals/journal-of-social-policy/article/abs/temporal-justice/C19E923FB188E759B9ABA9E4B6823F56. Acesso em 10 mar 2026.
GOULART, Jefferson O.; VAL, Ana Carolina B. A política urbana no Brasil: dos avanços na Constituição cidadã aos retrocessos recentes. Cadernos do Desenvolvimento, v. 2025, art. 814, p.1-34.
GUNTHER, Wanda M.R.; PHILIPPI JR, Arlindo (orgs.). Planejamento urbano e políticas ambientais: métodos, instrumentos e experiências. [recurso eletrônico]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da USP, 2020.
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis/RJ: Ed. Vozes, 2015.
HARVEY, David. Condição pós-moderna: Uma pesquisa sobre as origens da mudança cultura. 25ª ed. São Paulo: Ed. Loyola, 1992.
HARVEY, David. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2005.
SANTA HELENA, Eber Z. (coord.). Conflitos temporais entre os processos legislativos ordinário e orçamentário. Brasília: Câmera dos Deputados, 2010. Disponível em http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/orcamentobrasil/orcamentouniao/estu-dos/2010/et10-2010.pdf. Acesso:
HOWLETT, Michael; PERL, Anthony; RAMESH, M. Política Pública. Seus Ciclos e Subsistemas. Uma Abordagem Integradora. Rio de Janeiro: Elservier, 2012.
IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. MUNIC - Pesquisa de Informações Básicas Municipais. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/educa-cao/10586-pesquisa-de-informacoes-basicas-municipais.html. Acesso: 30 março 2026.
IBGE, SIDRA. Pesquisa de informações básicas municipais. Disponível em https://fish.quantilica.com/tabelas/5882/municipios-total-plano-diretor-classe-tamanho-populacao-grandes-regioes-unidades-federacao. Acesso: 30 março 2026.
LEFEBVRE, Henri. Éléments de rythmanalyse: introduction à la connaissance des rythmes. Paris: Syllepse, 1992.
LEFEBVRE, Henri. Elementos de ritmanálise e outros ensaios sobre temporalidades. Rio de Janeiro: Consequência, 2021.
LEPETIT, Bernard; PUMAIN, Denise. Temporalités urbaines. Paris: Economica, 1999.
KAIKA, Maria. City of Flows: Modernity, Nature, and the City. London: Routledge, 2004. DOI: https://doi.org/10.4324/9780203826928
MELLO, Janine et al. (org.). Implementação de políticas e atuação de gestores públicos: experiências recentes das políticas de redução das desigualdades. Brasília: Ipea, 2020.
MORENO, Carlos. Direito de Cidade - Da «Cidade-Mundo» à «Cidade de Quinze Minutos». Lisboa: Leya, 2023.
MORIN, Edgar. Introdução ao Pensamento Complexo. Porto Alegre: Sulina, 2015.
OJIMA, Ricardo; MARANDOLA JR., Eduardo (orgs.). Mudanças climáticas e as cidades: novos e antigos debates na busca da sustentabilidade urbana e social. São Paulo: Blucher, 2013.
PASTONE, Moishe. Tempo, trabalho e dominação social: Uma reinterpretação da teoria crítica de Marx. São Paulo: Boitempo Editorial, 2015.
RIBEIRO, Luiz Cesar Q. e CARDOSO, Aduato L. Da cidade à nação: gênese e evolução do urbanismo no Brasil. In RIBEIRO, L.C.; PECHMAN, R. (org.). Cidade, povo e nação: gênese do urbanismo moderno. Rio de Janeiro: Letra Capital / Observatório das Metrópoles, 1996, p.53-78.
ROSA, Hartmut. Alienação e aceleração. Por uma teoria crítica da temporalidade tardo-moderna. Petrópolis/RJ: Vozes, 2022.
SANTOS, Angela Moulin S. Penalva. Política urbana no Brasil: a difícil regulação de uma urbanização periférica. Geo UERJ, Rio de Janeiro, n. 36, e47268, 2020 | DOI: 10.12957/geouerj.2020.47268/ DOI: https://doi.org/10.12957/geouerj.2020.47269
SANTOS, Milton. A aceleração contemporânea: tempo-mundo e espaço-mundo. São Paulo: Editora: HUCITEC/ ANPUR, 2002.
SANTOS JR., O.; GAFFNEY, C.; RIBEIRO, L.C. (orgs.). Brasil: Os impactos da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas 2016. [Recurso Eletrônico]. Rio de Janeiro: E-papers, 2015.
SILVA, Carlos Sérgio Gurgel da. Política urbana brasileira: em busca de cidades sustentáveis. Rev. Jurídica Luso Brasileira, Ano 1, nº 4, 2015, p.239-263.
TONELLA, Celene. Políticas urbanas no Brasil: marcos legais, sujeitos e instituições. Revista Sociedade e Estado, Vol.28, N.1, jan./Ab. 2013, p.29-52. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-69922013000100003
VIRILIO, Paul. Velocidade e política. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.
VIRILIO, Paul. A velocidade de libertação. Lisboa: Edições Relógio d’Água, 2000.
Copyright
Copyright (c) 2026 José Almir Farias, Denise Pinheiro Machado

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.