Olhar outras memórias: uma construção dos trabalhadores/as
Resumo
Se na capital paulista a profusão de acontecimentos parece dissipar em algum grau uma memória uníssona, em Sorocaba ela se mostra como um projeto completo. O sentimento é de que o passado está mais próximo, que é possível imaginar os bandeirantes em ‘luta’ pela conquista do território brasileiro. Os ‘heróis’ são escolhidos e moldados para servirem a um propósito. Em São Paulo, a explosão de construção dos monumentos nas primeiras décadas do século XX reflete uma urgência de renovadas relações com o ambiente urbano. A imagem de São Paulo como espelho do progresso é instaurada ao mesmo tempo da valorização da figura bandeirante, formando um pêndulo entre passado e futuro de avanços rumo à civilidade e prosperidade a partir de um passado com características análogas. Mas também havia uma outra construção, um conjunto imenso e variado que estava sendo engendrado na cidade: as fábricas e as vilas operárias. Se o primeiro era artifício para a criação de uma identidade nas massas, o segundo era a formação dessa identidade a partir das múltiplas facetas e dificuldades que a população enfrentava. No ambiente urbano, acima do solo, as escolhas sobre os edifícios refletem os desejos dos governantes e da população. De tudo que tem passado, apenas uma parcela será preservada. Olhar os processos relacionados ao espaço público da cidade em relação à complexidade dos marcos memoriais demanda a observação da relação ao uso de edifícios com o entorno e com a questão da produção material, em sua grande maioria, anônima: construções para os excluídos das memórias oficiais da cidade, para os trabalhadores em sua massa diversa e heterogênea. Analisar os lugares de memória das cidades de hoje nos proporciona uma consciência histórica para pensar e agir sobre o futuro das cidades e de sua população.
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Referências
JEUDY, Henri-Pierre. Espelho das cidades. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2005.
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