Torção do tempo
Cidade e infância através da memória
Resumo
Este ensaio investiga as temporalidades urbanas a partir da articulação entre memória, infância e experiência, questionando leituras que compreendem a cidade apenas sob a lógica da aceleração e da linearidade do tempo. Com base em François Hartog (2013) e Milton Santos (2001), a cidade é abordada a partir de determinados regimes de temporalização e de campos de coexistência de temporalidades distintas. A partir de Walter Benjamin (2013) e Jeanne Marie Gagnebin (1999, 2014), a memória é entendida como rememoração que reconfigura o passado na experiência do presente. O argumento se desenvolve a partir de um exercício pedagógico em disciplina de graduação, no qual estudantes mobilizaram memórias de infância de pessoas mais velhas para investigar transformações urbanas por meio da criação de imagens. A análise desses trabalhos evidencia a rememoração e a experimentação gráfica como meios de conhecimento. Por fim, com base em Maurício de Abreu (1998) e Georges Didi-Huberman (2018), sustenta-se que memória e imaginação constituem um campo articulado de exploração e produção de conhecimento por meio do sensível, permitindo apreender a cidade em sua dimensão processual e na coexistência de múltiplas temporalidades.
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Referências
ABREU, Maurício de Almeida. Sobre a memória das cidades. Território, Rio de Janeiro, ano III, n. 4, p. 5–22, jan./jun. 1998.
BENJAMIN, Walter. Rua de mão única - Infância berlinense: 1900. Tradução de João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013.
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DIDI-HUBERMAN, Georges. Atlas ou o gaio saber inquieto: o olho da história III. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018.
GAGNEBIN, Jeanne Marie. Limiar, aura e rememoração: ensaios sobre Walter Benjamin. São Paulo: Editora 34, 2014.
GAGNEBIN, Jeanne Marie. História e narração em Walter Benjamin. São Paulo: Perspectiva; Campinas: Editora da UNICAMP, 1999.
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SANTOS, Milton. O tempo nas cidades. In: TEMPO: artigos. São Paulo: Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, 2001. p. 21–22. Texto extraído de conferência proferida em 29 de maio de 1989.
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