Tempo, técnica e memória
a antiga fábrica da Antarctica e as temporalidades da São Paulo industrial
Resumo
O artigo analisa o antigo complexo fabril da Companhia Antarctica Paulista, situado na Mooca, como objeto empírico ímpar para a compreensão das múltiplas temporalidades da São Paulo industrial, manifestas na moderna cidade que herdamos na contemporaneidade. O texto argumenta que a formação e consolidação desse espaço fabril expressa a aceleração técnica e econômica que ditou os novos ritmos urbanos e orquestrou as práticas sociais de vida e de trabalho ao longo de mais de um século. No presente, a antiga fábrica, patrimonializada no momento mesmo de seu abandono, revela-se não como um resíduo inerte do passado, mas como um campo de forças fundamental para compreender as relações entre tempo e espaço na São Paulo industrial. O complexo fabril da Antarctica é analisado por meio das relações entre tempo, técnica e memória que implicam, em cada momento, temporalidades que se justapõem e se sobrepõem, e se expressam, material e simbolicamente, como marcas de transformações que constituem múltiplas historicidades.
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