La casa, la ciudad y la canción: entre promesa y permanencia en las temporalidades de la vivienda popular en Brasil
Resumen
Este artículo analiza la política habitacional brasileña a partir de la articulación entre historia institucional y música popular, con el objetivo de comprender la vivienda popular como un campo de fricción entre regímenes de historicidad no sincronizados. Se parte de la hipótesis de que los distintos ciclos de la política habitacional - desde la ausencia de intervención estructurada hasta el desarrollismo, desde la juridificación del derecho a la vivienda hasta su reciente financiarización - producen horizontes de expectativa que no se materializan de manera homogénea en el territorio, generando desajustes persistentes entre el tiempo de la política y el tiempo de la experiencia urbana. A partir del marco teórico de Koselleck, Hartog, Lefebvre, Santos y Rosa, se sostiene que estos desajustes no son transitorios sino expresión de una disociación histórica entre los ritmos de la producción institucional de vivienda y los ritmos concretos de la vida en las ciudades brasileñas. Metodológicamente, el artículo moviliza once canciones de la música popular brasileña, producidas entre 1928 y 2017, como fuentes analíticas organizadas en cuatro períodos históricos, interpretándolas como formas sensibles de inscripción temporal de las temporalidades que atraviesan cada ciclo de la política habitacional. El análisis demuestra que la vivienda no se configura únicamente como abrigo o derecho, sino como un espacio donde se materializan los desajustes entre promesa y permanencia, aceleración institucional y repetición de la precariedad, formalización normativa y reproducción de la desigualdad. Se concluye que la cuestión habitacional en Brasil debe ser comprendida también como un problema temporal, cuya superación exige enfrentar las condiciones estructurales que producen la disociación entre los tiempos de la política y los tiempos de la vida.
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Citas
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