Vila industrial Jundiaí: as tensões entre permanências e transformações
Resumo
As experiências temporais e a evolução dos modos de vida deixam suas marcas e condicionam a paisagem, que, por sua vez, narra a dialética entre a preservação e as transformações do espaço urbano. O presente artigo tem como objeto de estudo a Vila Industrial Jundiaí (1954), em Anápolis (GO), analisando a intersecção entre planejamento urbano, forças econômicas e a constituição do patrimônio. Historicamente, a Vila está na origem do Bairro Jundiaí (1943) — primeiro núcleo planejado da cidade baseado nos preceitos das cidades-jardim —, tendo sido concebida como um anexo para suprir as necessidades da atividade industrial na cidade contudo verifica-se que o fator determinante para sua consolidação foi a infraestrutura ferroviária, com a implantação da Estação Engenheiro Castilho (1951), que funcionou como catalisadora do escoamento produtivo local. Tendo como procedimentos metodológicos a leitura espacial e o percurso in-loco o estudo examina a morfologia remanescente do conjunto urbano da Vila Industrial, no bairro Jundiaí, no qual se destacam o traçado ortogonal e os edifícios fabris, tais como galpões, o antigo moinho e a estação ferroviária. Os resultados apontam para a necessidade de preservação desses elementos, que, embora tensionados pelas dinâmicas urbanas contemporâneas, configuram-se como suportes fundamentais da memória coletiva e da identidade anapolina.
Downloads
Referências
ALVES JÚNIOR, Osvaldo Lino. Da gênese ao Gênesis: transformações e permanências no território da Vila Industrial Jundiaí, em Anápolis (GO). 2020. 123 f. Dissertação (Mestrado) _Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado, Universidade Estadual de Goiás (UEG), Anápolis, 2020.
ALVES, Lidiane. Representações das transformações espaciais: Breves considerações sobre a paisagem urbana. Para onde? Revista eletrônica, v. 4, n. 1, agosto de 2011.
BERNARDES, Genilda D’Arc et al. “Um pedacinho de outrora...”: memória de trabalhadores da Vila Fabril em Anápolis, Goiás (1950-1970). Sociedade e Cultura, Goiânia, v. 18, n. 2, p. 149-162, jul./dez. 2015.
BONDUKI, Nabil. Os pioneiros da habitação social no Brasil. Volume 1: Cem anos de construção de política pública no Brasil. 1. ed. São Paulo: Editora Unesp / Edições Sesc São Paulo. p.19-26, 2014.
CALAÇA JÚNIOR, M. P. Paisagem e patrimônio: o caso da Vila Industrial em Anápolis – GO. 2023. 263 f. Dissertação (Mestrado em Projeto e Cidade) - Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2023.
CASTILHO, Denis. Estado e Rede de Transportes em Goiás-Brasil (1889-1950). Universidade de Barcelona, vol. XVI, num. 418 (67), nov. 2012.
CASTRIOTA, Leonardo Barci. Patrimônio cultural: conceitos, políticas, instrumentos. São Paulo: Annablume; Belo Horizonte: IEDS, 2009. p.125.
CASTRO, Joana Darc Bardella. A industrialização e o ambiente: Vila Jaiara em foco – Anápolis/GO. Revista de Economia da UEG, Anápolis, v. 7, n. 1, p. 102-119, jan./jun. 2011.
CARSALADE, Flavio de Lemos. A pedra e o tempo: arquitetura como patrimônio cultural. Tradução para o inglês Marcel de Lima Santos. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014. p.115.
COSSONS, Neil. The BP Book of Industrial Archaeology. London: David & Charles, 1978. p. 424 a 425.
FRANÇA, Maria de Souza. Terra, trabalho e história: a expansão agrícola no “Mato Grosso” de Goiás – 1930/55. Tese de Doutorado. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1985. p.644-639.
FAISSOL, Speridião. O problema do desenvolvimento agrícola do Sudeste do Planalto Central do Brasil. Revista Brasileira de Geografia, Ano XIX, n. 1, p. 3- 66, jan./mar. 1957.
FREITAS, Rivalino Antônio de. Anápolis – Passado e Presente. Anápolis: Voga, 1995. p.43 a 62.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. Tradução de Beatriz Sidou. São Paulo: Centauro, 2006. p.26-84.
LUCCA, Gustavo Rogério de; PIMENTA, Margareth de Castro Afeche. O processo de renovação das áreas centrais na cidade contemporânea: o caso do conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça do Congresso, em Criciúma (SC). In. Revista Brasileira de Gestão Urbana, 2015. p. 269.
LUZ, Janes Socorro da. A (re)produção do espaço de Anápolis/GO: a trajetória de uma cidade média entre duas metrópoles, 1970-2009. Tese (Doutorado em Geografia), 2009.
MENESES, Ulpiano Bezerra. Patrimônio, Preservação e História da Energia. In: Anais do 1º Seminário Nacional de História e Energia. São Paulo: DPH, 1988. p. 68 a 73.
NORA, Pierre; Tradução: AUN KHOURY, Yara. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História: Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, [S.l.], v. 10, out. 1993. p.9-13.
POLONIAL, Juscelino. A ferrovia em Anápolis. In: Anápolis nos tempos da ferrovia. Anápolis: AEE, 1995. p.17.
RICOEUR, Paul, 1911, A memória, a história, o esquecimento - tradução: Alain François [et.al,]. - Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2007. p.64.
RUFINONI, M. Preservação e restauro urbano: teoria e prática de intervenção em sítios industriais de interesse cultural. Tese de doutorado. São Paulo: FAUUSP, 2009. p.177 a 178.
RUFINONI, M. Preservação do patrimônio industrial na cidade de São Paulo: o bairro da Mooca. Dissertação de Mestrado. São Paulo: FAUUSP, 2004.
SANTOS, Milton. Espaço & Método. São Paulo: Nobel, 1985. p.103.
MENESES, Ulpiano Bezerra. A história, Cativa da Memória?..Ver. Inst. Bras., São Paulo, 34:9-24. 1922. P.11-14.
Copyright
Copyright (c) 2026 Rafael Santos Silva, Maíra Teixeira Pereira

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.