Temporalidades urbanas
o habitar entre regimes de historicidade
Resumo
Este artigo propõe uma cartografia conceitual das temporalidades que atravessam a experiência urbana na modernidade e na modernidade tardia. Para fundamentá-la, articula três matrizes conceituais complementares: a analítica existencial de Heidegger, que fornece a constituição temporal do ser-no-mundo como estrutura fundamental da existência; o conceito de "regime de historicidade", elaborado por Hartog como ferramenta heurística para compreender as configurações temporais de diferentes sociedades; e a análise de Heynen sobre a tensão entre modernidade e habitar, fornecendo o enquadramento disciplinar para investigar como essas temporalidades se colocam na cidade. A partir dessa articulação, examina como o regime futurista moderno se materializou na metrópole enquanto dispositivo de des-enraizamento ontológico. Por fim, são analisadas três reconfigurações tardomodernas — presentismo, atualismo e retrotopia — e suas inscrições no espaço urbano contemporâneo. A cartografia revela que tais temporalidades convergem na desarticulação de um habitar autêntico, tido fenomenologicamente como modo fundamental de inscrição do ser-aí no mundo.
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