O planejamento do território popular em situações de conflito: temporalidades desconexas
Resumo
Este artigo discute o papel do tempo nas experiências de extensão vinculadas ao planejamento dos territórios populares em contexto de conflito, considerando a curricularização da extensão nos cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo, a partir de duas experiências: o Coletivo Habitat Popular (C-POP / LABHABITAT / Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN) e do Laboratório de Urbanismo e Paisagismo (LUPA / Universidade Federal Tecnológica do Paraná - UTFPR). A questão balizadora da investigação é: Como a multiplicidade dos tempos pode impactar na forma e nos métodos do planejamento nas práticas de assessoria popular em situação de conflito por meio da extensão universitária? O tempo cronológico/acadêmico/universitário tem sido um dos principais desafios ao lidar com a assessoria técnica extensionista, especialmente quando ela acontece a partir da curricularização, sem as condições humanas e materiais necessárias. As experiências mostram como o tempo exerce o papel de controle e regulação nas práticas cotidianas, bem como, por outro lado, as possibilidades estratégicas e táticas que o “ganhar tempo” pode implicar em situações de contexto de conflito. De forma mais ampla, aponta-se a necessidade da desnaturalização do tempo cronológico bem como a valorização da dimensão do presente sem perder de vista o devir/esperançar.
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