Poética do sensor
a transcrição do espaço no tempo
Resumo
Partindo de escritos não-ficcionais de Georges Perec e dos poemas não-originais de Kenneth Goldsmith, busca-se costurar uma linha comum entre práticas de escrita e de representação visual que constroem visibilidade a partir do registro minucioso e repetitivo da cidade. Sugere-se uma poética do sensor, isto é, uma modo de fazer que, partindo da fotografia como índice, dá continuidade às práticas de escrita não-originais e a arte contemporânea preocupada com a imagem operacional, isto é, imagens produzidas para um uso técnico, até a arquitetura forense. Em particular, mostra-se como essa poética sensorial não é apenas um registro "realista," mas a revelação de uma verdade latente dentro da paisagem, uma verdade que é construída através da temporalização do espaço. Partindo da concepção de Jacques Rancière da partilha do sensível como a elaboração daquilo que pode ser percebido, argumenta-se que a poética sensorial opera politicamente ao tornar visíveis agentes marginalizados e não-humanos da cidade.
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