Corpos falantes no plano desejante
uma cartografia da pegação no Plano Piloto (Brasília)
Resumo
Este artigo objetivou analisar como práticas homoeróticas, especificamente a pegação, reconfiguram usos e significados dos espaços no Plano Piloto de Brasília, tensionando a racionalidade modernista de seu traçado. A pesquisa mobilizou o método Caso-Experiência, fundamentado em epistemologias dissidentes, combinando cartografia, mapeamento corporal e imersão direta no campo, com pesquisa realizada em 2025 no Plano Piloto Tombado. Para atingir o objetivo, mobilizamos aportes teóricos de Barthes (2001), Butler (2012), Preciado (2014), Foucault (2013) e Berlant e Warner (1998). Como resultados, identificamos que a pegação opera como micropolítica sexual e espacial, constituindo uma dimensão erótica ou uma escala desejante além das quatro escalas nomeadas por Lúcio Costa (monumental, residencial, gregária e bucólica), capaz de subverter a normatividade urbana prevista pelo traçado modernista. Além disso, a pegação também é capaz de produzir sociabilidades efêmeras que auxiliam no processo de reinscrição do corpo e da sexualidade masculina para além da matriz cisheterossexual.
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Referências
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