Do ver ao viver: corporeidade e os teatros de Lina Bo Bardi

Publicado
2026-03-25
Palavras-chave: Lina Bo Bardi, arquitetura cênica, teatro, espaço, corporeidade

Resumo

O artigo investiga as diferenças nas concepções de três teatros projetados por Lina Bo Bardi, buscando compreender as noções da sua arquitetura cênica e deriva de uma tese que investiga a ideia de “Arquitetura Pobre” de Bo Bardi, explorando a interação entre corpo, ação e ambiente. O objetivo central é compreender como a concepção espacial de Bo Bardi vai mudando de um "ver" (contemplação) para o "viver" (ação), utilizando como objetos de estudo os teatros do MASP, do SESC Pompeia e o Teatro Oficina. No Teatro do MASP, observa-se uma tentativa de teatro artaudiano inspirada em um teatro da ação. No SESC Pompeia, a arquiteta experimenta uma arena duplamente encarada, com arquibancadas simétricas que dividem a atenção do ator. Já no Teatro Oficina, Lina Bo e Edson Elito transformam o palco em uma rua, palco para um cortejo, mesclando o espaço teatral à cidade e criando um ambiente participativo, no qual público e atores partilham a experiência da cena e da vida. A análise mostra uma transição da contemplação à vivência, da forma à ação. Sua “arquitetura pobre”, demonstra mais uma de suas características, a de propor um espaço que depende da presença e da corporeidade, em que arquitetura e dramaturgia se mesclam em uma experiência sensível e coletiva.

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Referências

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Como Citar
BIAZI SEBA, L. F. de; JORGE, L. A. Do ver ao viver: corporeidade e os teatros de Lina Bo Bardi. Revista Thésis, Rio de Janeiro, v. 11, n. 21, 2026. DOI: 10.51924/revthesis.2026.v11.602. Disponível em: https://thesis.anparq.org.br/revista-thesis/article/view/602. Acesso em: 26 mar. 2026.