Arquitetura Neo-Andina e o Sujeito Indígena na Cidade Contemporânea
Resumo
A arquitetura neo-andina tornou-se, na última década, um dos fenômenos mais expressivos da cidade de El Alto. A partir da difusão das obras de Freddy Mamani, intensificaram-se os estudos sobre essa produção, sobretudo no que diz respeito à emergência de uma expressão que valoriza a iconografia andina, visível nas fachadas por meio de cores intensas, geometrias contrastantes e um diálogo marcante com o artesanato popular. No entanto, mais do que uma manifestação estética, o neo-andino constitui uma produção vinculada às transformações sociais ocorridas desde os anos 1950, com as migrações indígenas do campo para a cidade, especialmente da etnia aymara.
Dessa forma, propõe-se uma análise crítica da arquitetura neo-andina não apenas em seu âmbito estético, como também a partir das dinâmicas sociais da cidade de El Alto, compreendendo essas manifestações não como casos isolados, mas como parte do processo de formação do sujeito indígena na cidade contemporânea, desde sua chegada do campo até sua possível ascensão econômica. Demonstra-se, assim, como o neo-andino tensiona os campos da identidade e da lógica de mercado, configurando-se como uma linguagem simbólica que articula e problematiza as noções de emancipação na paisagem da cidade de El Alto.
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